À procura da vida: o encontro connosco.
- Natacha Cabral
- 16 de dez. de 2021
- 4 min de leitura

O que é a vida? Para onde caminho? Qual é o meu destino?
Tudo perguntas retóricas, e justamente sábias, contudo, poderia dizer-te que o destino final não interessa e que o encontro mais importante é com nós mesmos. Por isso, apruma-te todos os dias, porque te esperam dates infinitos, invulgares e sobretudo, misteriosos.
Nós somos engraçados. Nascemos, e depois de tanto esforço, perecemos. A grande dificuldade disto tudo, não está nem no nascer, nem tão pouco no morrer, aliás, essas são as únicas certezas que temos à priori. A dificuldade encontra-se, algures no meio. É aí, que nascem todas as dúvidas, todos os desafios e todos os pesares. Mas é precisamente aí, que importa. Ou pelo menos deveria. é aí, onde a magia acontece.
Há quem passe a vida a ver a vida passar por si. Andam à procura de algo que não sabem bem o que é, ou sequer se existe. Uns, chamam-lhe felicidade, outros iluminação, outros, o êxtase. Seja com for, procuram em vão, pois aquilo que há para encontrar, já cá existe. E tudo começa no simples facto de acreditarem que a felicidade tem de ser conquistada através de lutas, sucessos, taças e títulos.
Imaginando que conseguiram, finalmente, o titulo desejado, o que resta no fim? Nada. O vazio. A necessidade de ir procurar uma nova luta. E eis que se inicia a espiral da ilusão permanente.
Somos seres complexos. Seres dotados para a criatividade, para os desejos, para as conexões e para as falhas. Com muita facilidade nos vangloriamos, e com muita mais força nos destruímos, a nós e aos outros.
É importante que se compreenda que, quando falo em complexidade, não falo apenas na nossa neuro-plasticidade, mas no facto de sermos um ser envolto numa tríade – mente, corpo e alma. Claro está, que vão haver aqueles que só pensam com o cérebro, e ignoram tudo o resto. Assim como aqueles que só pensam com os olhos e ainda, aqueles que só pensam com as emoções. O segredo, não é discutir quem pensa melhor, porque na verdade, o cérebro não se chateia com esse tipo de lutas mesquinhas, mas sim em encontrar um balanço perfeito entre as 3 componentes.
Se olhares à tua volta, verás que tudo na natureza acontece de forma perfeita: a noite dá lugar ao dia, assim como a chuva dá lugar ao sol, a morte dá lugar à vida, a destruição dá lugar ao renascimento, e o sofrimento dá lugar à emancipação. Tudo flui, como deveria fluir. Nada acontece por acaso. Estranhamente, nós somos a única criatura a crer que sim, a acreditar na superioridade e supremacia, e a procurar a perfeição.
Mas, não há nada de perfeitos em nós…a vida é como uma semente que é colocada na nossas mãos e que nos diz: “por favor, cuida bem de mim, porque tu e todos, dependem de mim”.
Se repararam, eu disse “tu e todos”, não somente tu, nem somente eles. E eis que chegamos epicentro da questão: tudo aquilo que tu fazes com a tua vida, tem direta conexão com a minha, com a dos outros e com o resto do Universo.
Pode parecer um pouco assustador no início, mas é deveras simples.
Se pensares num desporto coletivo, compreendes que, para o sucesso da equipa num determinado evento, é necessário que todos deem o seu melhor. Basta um elo da ligação estar quebrado, que a mensagem, neste caso, o objetivo, seja ele qual for, não será bem sucedido. Assim entendes que a influência do jogador A sobre o jogador B é inevitável, havendo aqui aquilo que se chama de um efeito de cascata. Talvez seja por isso tenhas ouvido que “juntos, somos mais fortes”. E de facto, somos.
A natureza opera neste sentido, em união e em uníssono, e aquilo que nos conecta é energia. Nada funciona sem energia, e até mesmo um objeto sólido que te possa aparentar “morto”, tem energia em si para se poder manter nesse estado.
Moral da história: não fomos feitos para caminhar sozinhos, nem existem caminhos perfeitos, destinos obrigatórios ou ideais de felicidade predefinidos. Apenas existe o agora. E neste instante, terás de te perguntar se vives uma vida completa, íntegra e simples, ou se pelo contrário, vives iludido, adormecido, insatisfeito e à caça do “tesouro perdido.”
Há momentos na vida para tudo. Para crescer, para aprender, para cair, para levantar, para sorrir, para chorar, para sofrer, para descansar, para errar, para brilhar, para morrer e para recomeçar. E quando falo em morte, não me refiro à morte física, mas à morte espiritual. Ainda vivemos muito preocupados com a nossa imagem à luz do nosso corpo. Mas o nosso corpo é apenas um lugar onde a nossa alma habita, e é dessa que realmente deveríamos cuidar. Para o corpo, o alimento, o movimento e o descanso bastam. Para a alma, nem tudo serve. A alma requer demasiado trabalho, mas é nela que residem todas as possibilidades. É nela que reside o elixir essencial da vida: o amor. Quando compreenderes isto, compreendeste o segredo da tua jornada por aqui.
Quando conseguires passar tempo suficiente contigo mesmo, quando meditares à procura de respostas, quando vires felicidade em todos os lugares e acontecimentos, quando vires amor em todos os gestos, quando entenderes que só há 1 e não 2, quando quebrares todos os paradoxos que te prendem às falsas ilusões criadas por uma mente embaciada, aí, perceberás que há mais vida para além daquela que vês.
Aceitarás tudo aquilo que se apresentar no teu caminho. Agradecerás a todo e qualquer momento. Sentirás o pulsar do outro em ti. Ouvirás a linguagem da natureza. Desapegar-te-ás de materialismos e desejos fúteis. Deixarás cair por terra o teu ego, os teus receios e os teus impulsos. Farás do amor incondicional a tua melhor, e única arma. Alegrar-te-ás, simplesmente, por estares vivo e saberás, exatamente, para onde te deves dirigir a seguir.
No fim de tudo, leva contigo a ideia que não sou eu, nem ninguém, que te deverá dizer o que é a vida e o que deverás fazer com ela. Terás de descobrir sozinho. A solidão faz parte do caminho do guerreiro.
O conhecimento e a sabedoria da vida, estão ao dispor de todos e qualquer um, cabe a ti decidir se queres mergulhar fundo nesse oceano, ou se preferes seres levado pela corrente que te empurra à superfície...



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