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Na caverna do erimita.

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 3 de ago. de 2023
  • 3 min de leitura

Quão funda pode ser a dor?

Será a dor do meu vizinho maior ou menor que a minha?

Serão as milhentas teorias existentes no foro da psicologia, capazes de compreender a dor e a mente de cada humano, na sua plenitude e verdade?

E poderão ser os desejos do coração postos de parte desta já por si, complexa equação?


Não sei.

Não sou cientista.

Mas sei que a dor existe, e que com alguma facilidade nos faz conhecer os recantos mais assustadores de sempre.

Sei também, que encontrei o fundo do poço, e que muito possivelmente, não sou, nem serei, a única a tê-lo feito.

E ainda sei, que nas alturas em que era suposto sermos compreendidos, acarinhados e aceites, enquanto a pele incorre na sua mudança, nem sempre isso acontece.


Parece até uma antítese como é que corações tão bons, carregados de amor puro e boas intenções, podem sofrer assim, deste modo, ou pelo menos serem tão mal decifrados.

Mas, o que se constata é que está é a mais cruel e repetitiva realidade.


Nós, raça tão inteligente, tão ancestral, tão convincente, tão capaz dos feitos mais impressionantes, parece não querer aprender a mais básica das lições.

Os anos avançam, mas algumas ações, por mais antiquadas que possam ser, prevalecem.


Enquanto me remeto ao silêncio da minha cave, questiono-me:

Como pode o ódio sobrepôr-se ao amor com tanta frequência? Como pode a morte deliberada e provocada honrar a vida de qualquer coisa? Como pode a indiferença trazer sorriso ao rosto de um qualquer? Como pode a pobreza material, mental e emocional enriquecer o nosso mundo? Como podem, e esta a mais enigmática de responder, as mesmas ações serem repetidas infinitas vezes, espalhando o caos e o desespero de quem apenas queria aquilo que parece ser querido por todos, a paz e o sossego?


Não sou filósofa, nem teóloga, nem tão pouco psicóloga para surgir com uma nova teoria ou com a intenção de prestar sermões a alguém. Pelo contrário, tento procurar apoio nestas áreas na tentativa de compreender porque somos nós auto e colectodestruidores, com tanta insistência e persistência.


Tento compreender porque a compaixão não vira moda, enquanto uma aplicação que faz caras bonitas e vende futilidades, faz.

Tento compreender porque o amor não veste de mais adeptos, enquanto o escárnio e o maldizer ganham massas a olhos vistos.

Tento compreender porque não se ensina a partilha e a cooperação, o enquanto o dinheiro e a competição feroz corrompe com tanta astúcia.

Tento compreender porque nos queixamos de tudo e mais alguma coisa, mas na hora do aperto, poucos dão o corpo e a cara ao manifesto.

E por fim, tento compreender porque nos orgulhamos nós da nossa frieza e insensibilidade perante o próximo, como se de a coisa mais natural se tratasse. Como se o próximo apenas servisse, e não como se o próximo também fosse. Como se o próximo se diferenciasse, e não como se o próximo se equivalesse.


Às vezes, quanto mais próximo, mais distante, daí que talvez a causa disto tudo seja um desajuste nas nossas lentes. Talvez elas precisem ser mudadas ou então atualizadas. Quem sabe, pensarei eu, recuperadas...


A confusão mora, muitas vezes, bem perto de nós, naquilo que se define como o nosso seio familiar. Outras vezes, mora lá fora, naquele que se entende por território comum.

Curiosamente, quem ou o que aqui nos colocou, apelidou-o de comum, porém, sente-se muita exclusividade. É confuso, ora não?


Por vezes, a confusão é tanta, que aqueles que já se sentiram "fora da caixa", assim como eu, devem ter encontrado nada, se não paredes enquanto procuravam por auxílio.

Uns, vão dizer que enlouquecemos e tentar calar ou disfarçar a nossa voz o quanto antes; outros, que somos extravagantes porque não queremos seguir a norma; outros, atribuem-nos o título de sensíveizinhos, por sentirmos a nossa dor e a dor alheia. E outros, simplesmente nos ignoram, como se de poeira nos tratassemos.

E depois, resta a minoria, aqueles que verdadeiramente, se importam. Andam sem esperarem nada de volta e dormem na esperança de restituírem os sorrisos e a alegria.

E ainda dizem que ir a Marte é tarefa difícil?

Não, difícil somos nós.


Assim que, hoje, convido-vos a refletir comigo:

Quanto vale a vida humana? Quanta vale o coração bem intencionado? Quanto vale a alma que é sincera e genuína?

Quanto vale tudo isto, quando a única coisa que parece valer, é o dinheiro e o poder?


Não sei mais dizer.

Não sei mais pensar.

Não sei mais ser.

Anda por aí alguém que se diga saber?


Um bem hajam! ♥️

 
 
 

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