Mas porque será que ninguém questiona o “Porquê?”
- Natacha Cabral
- 15 de jul. de 2023
- 3 min de leitura

Caros leitores, não vai assim há muito tempo quando desafiei o público das minhas redes sociais a completar a seguinte frase: “ O que a humanidade mais está a precisar é…”
Confesso não ter ficado espantada com as respostas que obtive, ainda para mais, quando algumas se haviam destacado: “Empatia, união, amor.”
É engraçado como de um modo geral, as pessoas ainda procuram o contacto com valores tão fortes e tão essenciais como estes. Mas, é deveras confuso como tais valores estejam, cada vez mais, escondidos e em falta.
Mas, a questão é: porquê?
Porque será que cada vez menos beneficiamos destes valores quando, na verdade, são cada vez mais necessários?
Não sei quanto a vocês, mas a mim querer-me parecer que a humanidade está cansada de si mesmo. Está farta da pintura que desenhou na sua própria tela. Farta da sua própria sombra. Farta de ter a falta destes valores que saciam, e exausta de vender e colher atitudes que apenas aumentam a sede e a fome.
Convém agora fazermos aqui uma chamada de atenção: podemos estar todos à fome, mas todos contribuímos, de forma consciente ou inconsciente, para tal.
Ah, mas que barbaridade é essa? Como poderia eu querer tal coisa? Como poderia eu ter contribuído para um mundo pior?
Meus caros, não se trata de acartar com as culpas, mas de assumirmos as responsabilidades e de percebermos, que todos nós, sem exceção, desempenhamos um papel para a evolução ou para o retrocesso da sociedade.
É simples perceber. Quando olhamos para o lado e vemos a quantidade de explosões provocadas por testes de armas, não será de esperar que a natureza nos responda com mais sismos? Quando vemos cada vez mais indústrias poluírem o nosso ar, não será de esperar que mais pessoas sofram de doenças respiratórias e que a temperatura da terra aumente? Quando vemos a indústria alimentar injetar a carne e o peixe de todo tipo de remédios, não será de esperar que os humanos desenvolvam uma maior resistência aos antibióticos que poderiam muito bem salvar a nossa vida? Quando vemos a tecnologia substituir a mão de obra humana a um ritmo frenético, não será de esperar um incremento no isolamento e uma tendência clara ao desenvolvimento de doenças do foro mental e emocional?
Para mim, é muito claro, mas talvez você nunca se tenha perguntado o porquê, pelo menos, não deste modo.
Não podemos continuar a caminhar numa atitude de passividade se quisermos assistir a uma reformulação de valores. E digo reformulação e não revolução, porque não é de revoluções físicas que precisamos, mas sim, de uma revolução mental e emocional, pese embora seja de bom tom, começar por algum lugar.
Todos nós fazemos parte do problema, assim que acredito, veemente, que todos nós fazemos parte da solução, mas é preciso coragem, vontade e capacidade para deixar as velhas crenças, os medos e os criticismos para trás, e segurar a mão da iniciativa, da fé e da autorresponsabilidade.
Não vos parece de todo estranho, que todos queiramos as mesmas coisas como paz, amor, cooperação, segurança e felicidade mas que por alguma razão, isso seja cada vez mais impossível de ter?
Mas, porquê?
Porque a grande verdade é que estamos desconectados de nós mesmos e de tudo o resto. Estamos perdidos da nossa própria verdade. Deixamos a essência desmoronar, e atribuímos à vida e ao amor, um significado errôneo.
Nunca foi tão urgente voltarmos ao contacto connosco, com os outros e com a vida, que é o mesmo que dizer, voltar às origens da simplicidade e do amor que cuida.
Para nós, humanos, que dependemos da energia do amor e dos relacionamentos para sobreviver, viver, nunca foi sobre emancipação do ego, sobre grandes conquistas, sobre teorias complexas, sobre a moeda mais forte nem o poder mais soberano. Muito pelo contrário. Viver, para nós, enquanto espécie semelhante e dominante, sempre foi sobre partilha, cooperação, transformação, transcendência, conhecimento, empatia e amor maior.
Mas, enquanto grande parte das pessoas e os sistemas regentes continuarem a caminhar convictos dos ideais de supremacia, egoísmo e superficialidade, dificilmente o mundo poderá almejar uma nova era – uma era de cura, já há tanto desejada.
Está na hora. Aliás, já passou da hora!
Já foi hora de estarmos de braços cruzados a assistir na primeira fila a um filme repetitivo.
A hora é agora, de nos unirmos; de procuramos o autoconhecimento; de estendermos uma mão que ajuda; de comunicarmos as nossas dúvidas e dores comuns; de evoluir ao nível espiritual; de nos tornarmos adultos responsáveis; de recuperar a nossa consciência e despertar dum sono que nos embala diariamente.
Está mais que na hora de decidirmos, de uma vez por todas: a vida somos nós, ou a vida é algo que nos está a acontecer aleatoriamente?
A decisão é sua.



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