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Verdade ou consequência?

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 29 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Tenho a certeza que grande parte de nós já ouviu falar deste jogo e por muito que o tempo passe, ainda lhe guarda algum receio. Em algum momento da nossa vida sentimos a necessidade de o explorar com os nossos amigos, uns, em idades mais jovens, outros, ainda o fazem.

Curiosamente chamo-lhe “jogo”, não porque é “jogável”, mas porque esconde a essência do próprio jogo: torna-se por fim, num jogo de mentiras.

O ser humano gosta de mentiras, possivelmente porque são confortáveis e fáceis, e têm a capacidade de se ajustar de forma perfeita às medidas do nosso corpo. Assim como um alfaiate nos desenha um fato, também nós desenhámos as nossas mentiras de acordo com o que nos convém.

Porém, a verdade não se ajusta. Ela simplesmente é. Quer goste, quer não, quer sirva, quer não, ela está lá, e não há muito que possa fazer para lhe contornar os cantos.

Tentamos, de mil e uma formas, enganar a própria verdade, convencidos que conseguimos desafiar o impossível. Contudo, acabamos sempre de frente para um muro, porque a verdade não cabe na mentira. E enquanto a mentira nos serve, a verdade é contra. Enquanto a mentira se ajusta, a verdade obriga-nos a mudar. E a única solução que nos resta quando preferimos não a ver, assim como no jogo, é sofrer as consequências.

De alguma forma, ensinaram-nos a não falar a verdade. Sempre ouvi dizer que “não digas a verdade, poderás ofender”. Mas será mesmo esse o objetivo? Ofender? Ou será escapar à realidade do ser?

Em todos os lugares há mentiras. Cada país possui a sua mentira. Cada raça possui a sua mentira, cada religião, cada família. Talvez por isso seja que cada vez que alguém fala a verdade, passe a ser a figura-alvo de condenação. Chegou onde não devia, alcançou aquilo que deveria estar escondido, desenterrou aquilo que estava na profundidade. E neste ponto, só nos restam duas possibilidades: ou condenámos o outro à guilhotina, ou estamos preparados para derrubar a torre dos segredos. Um dos caminhos revela cobardia, o outro, bravura. Por onde irá, a mim não me cabe saber.

Seja qual for o caminho que decida percorrer, pare e observe-se, enquanto se questiona sobre a sua verdade: qual o tamanho das minhas mentiras, e já agora, com quantas vivo?

 
 
 

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