Um mistério chamado Vida.
- Natacha Cabral
- 11 de jun. de 2021
- 2 min de leitura

A vida é um misterioso mistério. É como uma viagem numa montanha russa ao qual temos de embarcar corajosamente, sendo que por norma, levamos a fé sentada ao nosso lado na expectativa que tudo irá correr pelo melhor.
Poderá ela ser comparada com a vida selvagem nas savanas – às vezes temos de agir agressivamente, tal como uma leoa que persegue a sua presa. Outras vezes temos de vestir a pele de um lobo e esperar pacientemente e de uma forma calculista pelo momento certo da tirada, e se não render o que esperávamos, amanhã tentamos de novo.
A grande magia da vida é que na verdade, ao acharmos que estamos no controlo de tudo, somos severamente traídos por uma espécie de piloto automático que se senta ao nosso lado que nos gosta de alterar a rota de vez em quando aproveitando as nossas mais subtis distrações.
Ainda bem que com o passar do tempo vamos sendo capazes de nos ajustar a estas sorrateiras alterações e que, tal como diz o provérbio, existem mais marés que marinheiros, o que nos permite, pelo menos, saber que outras oportunidades virão, outros caminhos se abrirão e outras terras serão dignas da nossa visita.
É certo que como humanos que somos, se fossemos convidados a escolher, seguramente optaríamos por um trajeto marítimo com menos ondulação, menos tempestades e reajustes e por ventura, se não fosse pedir de mais, que fosse mais curto. Mas não convém esquecer que nem sempre o trajeto mais rápido é o mais proveitoso.
Talvez as adversidades inerentes à própria viagem tenham em si, na profundeza de si mesmo, razões ocultas de assim serem. Não as podemos ver, é um facto, nem tão pouco as compreendemos num primeiro impacto, mas se soubéssemos de tudo antemão, não perderia a vida o seu brilho? O seu misticismo? As suas questões que nos fazem refletir enquanto parte integrante dela?
Às tantas sinto que andamos aqui todos um pouco enganados.
Dizem-nos que o importante é saber passar pela vida discretamente, sem grandes tropeções.
Eu cá acho que nos deveria ter sido ensinado, desde bem cedo, a saber dançar, e em variados estilos enquanto albergamos diversas indumentárias, pois sábio é aquele que se adapta prontamente. Que sabe quando segurar e quando largar. Que sabe quando acelerar e quando travar. Que sabe quando receber e quando dar. Que sabe quando ir e quando ficar. Que sabe quando orar e quando agir. Que sabe quando duvidar e quando confiar. Que sabe dançar ao som dos vários ritmos independentemente do lugar, da roupa e do parceiro.
No final de mais uma tentativa um pouco louca de decifrar aquilo que para nós é mais valioso, permaneço ainda assim, na incerteza comum.
Vou aproveitar a célebre deixa de um filósofo que pregou com boa razão, e adaptar àquilo que seguramente sei: só sei que nada da vida sei.
Um brinde à Vida!



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