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Porque é tão difícil dar e receber amor gratuitamente? Será esta a causa maior da depressão?

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 24 de nov. de 2022
  • 5 min de leitura

Minha gente, durante vários anos tenho estudado o tema da depressão. Confesso que é uma área que me fascina por variadas razões: em primeiro, porque lido de perto com muitas pessoas neste estado, em segundo, porque eu própria passei por isso, e em terceiro, porque sempre quis entender o porquê do homem cair neste estado mental e sentimental.

Curiosamente, há quem defina este problema como um problema “da era moderna”. Mas não. Desde o momento em que o homem desenvolveu a mente pensante e o acesso à informação e à inovação, muitos passaram por estes desafios, que na altura, pouco se conhecia sobre.

Em suma, porque a informação e os estudos efetuados nesta área são extensos, as possíveis causa deste estado mental deve-se, na opinião dos científicos, a um mau funcionamento duma área específica cerebral e ao défice de produção de uma hormona que contribui para o nosso bem-estar; na opinião dos behavioristas, este deve-se às condicionantes externas ou seja, o meio ambiente onde o indivíduo cresce e se houve, ou não, algum episódio traumático que o possa ter impactado; depois temos os espiritualistas, que também podem ter outros nomes, mas resumidamente, estes creem que este estado se deve à falta de conexão com a nossa verdadeira essência, com o universo e com a energia do amor.

Seja quem for que tenha razão aqui, e talvez todos ou nenhum tenha, o importante nunca foi perceber quem tem a razão. O importante sempre foi perceber como ajudar quem aqui chega e quais as possíveis soluções para reverter este estado.


Na minha modesta opinião, porque não sou nem investigadora, nem formada na área, parece-me que falta ao homem tempo.

Tempo para dar e receber amor.

Tempo para se conectar consigo mesmo. Tempo para saber quem ele é e quem não é. Tempo para parar. Tempo para estar. Tempo para curar. Tempo para reconstruir.


No outro dia escrevi o seguinte: “A única coisa que muitas vezes precisamos é apenas um abraço sincero e apertado. Mas não entendo porque é tão difícil no mundo de hoje dar amor gratuitamente.”

Será que alguns de vocês já pararam para pensar a grande razão para estarmos aqui? O que nos criou? De que forma a natureza progride? O que nutre tudo?

Não é dinheiro. Não é a tecnologia. Não são os bens materiais. Não são as selfies e os likes. Não é a fama. Não é a apatia e a indiferença. Não é o isolamento. Não é a arrogância nem o poder supremo. Não é a hegemonia. É o sentimento mais primário, mais básico de todos, que pelos vistos também é gratuito – o amor.

Quando vos falo em amor, não estou a falar apenas e só do amor íntimo. Falo de todo o tipo de amor. Aquele amor sentido e partilhado de mãe para filho, de um amigo para outro, do amor por um pobre, do amor por um desconhecido, do amor pelas nossas paixões e sonhos profundos, do amor próprio, do amor da natureza por todos os seres que existem. O chamado amor incondicional. Aquele cuida e nutre.

Mas, falta-nos tempo!


O ritmo frenético não nos deixa, ou não quer deixar. E o pior é que grande parte de nós cai nesta esparrela. Neste erro de deixar o amor para segundo ou terceiro plano por achar que a carreira ou o dinheiro é mais importante.


Já se sentaram por dois minutos para pensar naquilo que a sociedade moderna exige do ser humano?

É nos pedido para sermos bons alunos, para dominarmos várias skills, para seguramos dois ou três empregos ao mesmo tempo, para educar os nossos filhos, para manter o contacto com amigos, para estudar incessantemente, para cumprir metas, para irmos ao ginásio, para pagarmos as contas a horas, para nos desdobrarmos em quatro, para falarmos três línguas diferentes, para sermos prendados, para sermos resolutos, para sermos fortes, para, para, para...a lista é interminável.

Agora alguém por favor me diga, onde está aqui, o tempo para nós?

Onde está o tempo para sossegarmos? Para refletirmos nas nossas ações? Para cuidarmos do nosso corpo? Para curar as nossas feridas emocionais? Para lidarmos com os nossos fantasmas? Para dedicar atenção a mim e ao outro, genuinamente? Para mostramos ao outro o quanto o amamos?

Pois, não há, ou não dá. E é por isso que dá, na grande maioria das vezes, na desenvoltura de estados depressivos, ansiosos, nervosos, frustrados. E não é preciso muito para lá chegarmos.

Eis o problema amigos: falta saber dar e receber amor.

Falta saber perdoar mais. Falta olhar para o outro não apenas com uma coisa com carne e osso, mas como um ser que tem valor, que também tem emoções e dificuldades como eu. Falta saber deixar a bagagem do que já foi no passado, e reconstruir o presente sem medos do futuro, sem condenar ou julgar todo mundo à partida “apenas porque eu sei que vou sair magoado disto”. Apenas porque deixaste de confiar. Apenas porque perdeste o fio que te liga ao amor universal.


É assustador, mas é a verdade. Não importa quanto eu leia, quanto eu ouça e ajude, por onde quer que eu vá no mundo. Quando me sento em silêncio a observar os outros e a conviver com as suas personalidades, é impressionante a quantidade de medo e de ausência de consciência pessoal e coletiva que eu vejo. É assustador olhar para o lado e perceber que tantas pessoas se tratam mal, com indiferença, com descrença. E era tudo tão mais fácil se simplesmente, parássemos e fizéssemos as pazes connosco e com os outros.


Talvez vocês não estejam a captar a mensagem geral mas a ideia é muito simples: todo e qualquer ser humano quer ser amado, quer ser acarinhado, reconhecido, elogiado, valorizado, visto. E todos nós temos algo para dar.

Ao contrário das ideias baratas que nos vendem, nós não fomos criados para competir mas para cooperar, e é devido a tanta competição que o mundo está neste estado, doente, sensível, frio, caótico. É devido a esta ausência de consciência que muitos jovens, adultos e até idosos, põe fim à sua vida, por sentirem que não pertencem, que não encaixam, que não têm valor, que não são dignos de receber amor.

Somos tão complexos, capazes das coisas mais incríveis, mas ao mesmo tempo, tão básicos, ignorantes e frágeis.

Eu prefiro acreditar que somos capazes do melhor, que ainda resta esperança para a nossa mudança. Que ainda existem muitas pessoas despertas e bondosas por aí, prontas a dar e a receber genuinamente, prontas a saírem de si mesmas para verem a perspetiva geral.


E aos que sofrem, resta-me aconselhar que: 1 – procurem ajuda de um profissional, ou de um grupo de terapia, ou de terapia animal ou natural, há sempre soluções; 2 – parem! Tirem tempo para vocês, para atender às vossas emoções, desejos e necessidades. Para ajudarem os outros. Reprimir emoções é o pior caminho possível; 3 – entendam que isto é um problema coletivo e não apenas pessoal, pois se a sociedade normativa não tivesse sido sido criada por nós mesmos, não havia necessidade de tanto sofrimento, daí que todos temos responsabilidade sobre; 4 – conecta-te ao amor e às energias boas do universo. Estuda sobre, rodeia-te de pessoas que entendam sobre; 5 – afasta-te! De energias negativas, de tudo que não te serve e que só atrapalha e te consome as tuas forças; 6 – compromete-te a fazer melhor, por ti e por todos nós; 7 – jamais desistas! Ainda que te possa parecer que tenhas todas as razões para isso.

“Acende uma vela, e a escuridão não mais te parecerá tão assustadora.”

TU IMPORTAS!

TODOS IMPORTAMOS!

AMEM MAIS!

ABRACEM MAIS!

SEJAM MAIS SINCEROS COM VOCÊS! SEJAM VOCÊS!

Agora por favor, faz algo por nós e partilha esta informação. Poderás ser tu a salvar a esperança ou a vida de alguém.



Com amor,

Natacha.

1 comentário


Vitor Cabral
Vitor Cabral
24 de nov. de 2022

Lindo texto, escrito com toda a clareza e profundidade. De facto o amor incondicional que não nutrimos está a levar-nos a um abismo sem volta, quando podíamos resolver tantas questões a nós mesmos e dos outros, que poderiam solucionar tantas das nossas emoções negativas que nos comandam e, nada fazemos para reverte-las. Amem-se mais a vocês mesmos e aos outros, é a parte da solução. Obrigado à autora do texto por nos ajudar, tu podes, sabias? Basta mudar a tua Filosofia de Vida, começa já hoje.

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