O segredo mais precioso: a tua liberdade.
- Natacha Cabral
- 7 de jun. de 2022
- 5 min de leitura

O que é ser livre? O que significa liberdade? Podemos nós alguma vez ser livres de verdade?
São tudo questões muito pertinentes e bem-intencionadas, porém, não têm resposta pronta nem tão pouco, fácil.
No meu sincero e modesto ponto de vista, há muitas formas de sermos livres. Tudo depende do tipo de liberdade que andamos à procura. Se és um afiliado do mundo material, procuras a liberdade financeira. Se és um apaixonado pela espiritualidade, procuras a liberdade da tua mente e alma. Já se és um afiliado pela essência da vida, procuras a liberdade de amar e ser sem condicionalismos, que é o mesmo que dizer viver em paz contigo e com tudo o resto.
Honestamente, e de todas as liberdades possíveis, talvez a liberdade financeira seja a mais palpável de obter, para isso basta que tenhas uma boa visão dos mercados, a correta formação educacional na área, objetivos concretos e claro, uma sede imparável para gerar mais. Ou seja, é algo prático e concreto, e depende muito de factos e ações controláveis.
A segunda liberdade, que se refere à mente e à alma, é um pouco mais subjetiva e invisível, pois mergulha no campo do desconhecido e do espiritismo, quase como algo que não se pode tocar com as mãos, apenas se pode sentir. E assim como a anterior, requer trabalho e dedicação, bem como um espírito tenaz, curioso e sensível. Na verdade, é algo que nunca se alcança, uma vez que é um processo contínuo até ao momento em que partimos para a outra dimensão.
Depois temos a liberdade em si. A que engloba um todo. A que engloba a tua pessoa e o outro. A ti, e a tudo o resto.
Deixa-me que te explique esta ideia que pode parecer à partida, confusa.
É vital que compreendas que muito antes de falarmos do que quer que seja, inclusive de liberdade, que tudo está conectado a um todo. Eu não sou sem Ti, e tu não és sem Nós e Eles. Logo, visto que estás à procura duma resposta à Tua pergunta, convém que entendas que essa mesma resposta nunca poderá derivar de um ato isolado de todo o resto. Para te simplificar esta questão pensa no seguinte: a lua exerce um grande poder sobre tudo o que acontece no nosso planeta, muito em especial mexe com os ciclos das marés. Assim que, se há um acontecimento X na lua, haverá um resultado Y na terra. Estou praticamente a falar em reações de cadeia e em ligações energéticas que nos afetam a todos e a tudo.
Portanto, liberdade não pode ser entendida por ti como algo tão redutor como “eu sou livre para fazer aquilo que bem entendo uma vez que só eu importo.” Liberdade é muito mais que isso.
Sim, de um certo modo ser livre, significa puderes ser, fazer e pensar aquilo que quiseres, pois se vives na ideia que tens de satisfazer as expetativas dos outros como modus operandus, então já és um prisioneiro, a mais não ser, dos teus próprios pensamentos.
Contudo, há uma frase que vale a pena estudar no que a este tema se refere, que nos diz que “a minha liberdade termina quando a do outro começa.”
Se perderes cinco minutos a olhar para esta frase, rapidamente entendes aquilo que te estava a explicar no parágrafo anterior. Logo, não há nada do que tu faças ou não faças, digas ou não digas, penses ou não penses, que não afete a carruagem coletiva em que todos seguimos.
Daí que, neste preciso momento, seria interessante te fazeres as seguintes questões: que tipo de vida estou a viver? Vivo a minha verdade, ou a verdade do outro? Que segredos escondo?
Bom, se de algum jeito vives a vida pelo outro, então vives uma vida superficial, baseada em recompensas imediatas, na necessidade de constante reconhecimento e aprovação alheia. Se este for o caso, digo-te gentilmente que és tudo, menos livre.
Liberdade significa saber de antemão quem sou Eu, que valores defendo, para onde realmente quero ir, com quem quero ir, onde quero estar e o que gosto de fazer.
Liberdade é seres fiel aos teus princípios. É viveres de acordo, no melhor das tuas capacidades e possibilidades.
Liberdade significa respeitares a vida que te foi dada, o espaço onde vives e o legado que vais deixar.
Liberdade significa saberes que tens sempre o poder de decidir por ti, e que não dependes nem necessitas do julgamento dos outros para tal.
Liberdade é atingires um estado maduro que te ajuda a compreender e a aceitar a tríade corpo-mente-espírito, que é o mesmo que dizer que nem só com o corpo te moves ou nem só com a mente tu vês. A tua alma sabe muito mais sobre muitas mais coisas, daí que talvez fosse uma excelente ideia que fizesse as pazes com o teu coração e que tomasses um chá com a tua alma de vez em quando.
E finalmente, liberdade é não fugires de ti. É te aceitares assim como és e onde estás, pois o que és e onde estás, neste momento, é perfeito, e é um excelente ponto de partida para um aprimoramento futuro. É aceitares a tua mais profunda verdade ao invés de andares às turras com ela. É conheceres e reconheceres os teus segredos, e não sentires vergonha nem medo para os partilhar, pois todos os temos e tu não és diferente.
Em suma, liberdade é teres a coragem de ser quem tu realmente és e aceitares de braços bem abertos e com um certo grau de responsabilidade a relação que tens contigo mesmo, todos os dias. Feliz ou infelizmente, podemos “tirar férias” de muita coisa mas não podemos tirar férias de nós próprios, assim que convinha escolheres com urgência o tipo de pessoa que queres ser na tua própria companhia, pois ninguém o fará por ti.
Na verdade, a maior liberdade é nos dada a todas as horas, que é a liberdade de escolha. Se prestares atenção, tu podes escolher por entre tanta coisa...podes escolher ir a um psicólogo desabafar sobre os teus problemas quando a vida não te sorri, mas ainda assim escolhes não mudar; podes escolher carregar um segredo que te pressiona todos os elos da tua coluna até fraturar, e ainda assim escolhes não falar dele para te ajudar a libertar o fardo pesado; podes escolher chorar sobre uma oportunidade perdida ou uma vida que desejavas diferente, mas ainda assim escolhes continuar a fazer tudo de forma igual. E eis que no fim te pergunto: o que andas a escolher para ti?
Podes até nem acreditar, mas está tudo ao teu dispor. Na grande maioria das vezes, somos nós que complicamos o simples, e noutras vezes é apenas preciso um salto de fé para uma nova realidade.
O meu conselho? Nunca te dês satisfeito com aquilo que achas saber. Mantém sempre uma mente, coração e espírito abertos para novas possibilidades e verás, seguramente, que também tu és capaz de atingir a tua liberdade, e que o universo quer o teu, e o nosso melhor. Se vagueares nas ruas da curiosidade e da humildade, rapidamente descobrirás que a liberdade não é apenas uma miragem, mas terra firme.
E agora, estás pronto para um mergulho, ou preferes ficar para sempre na costa?
Tu escolhes!
P.S – não tenho absolutamente nada contra aqueles que decidem seguir a liberdade material, uma vez que numa determinada medida, tudo faz falta. Todavia, e apesar de saber que o dinheiro te permite comprar e abrir muitas portas, felizmente, ele nunca te permitirá abrir a porta do verdadeiro amor, pois os valores essenciais não se compram com moedas. Prefiro saber que podemos ter pouco de algo, mas um pouco de tudo.
Pensa nisso.
Abraços.



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