O que nos ensinam os cães? Muito.
- Natacha Cabral
- 21 de dez. de 2021
- 2 min de leitura

Já alguma vez observaram um cão?
Uma criatura extraordinária – incrivelmente simples, e incomensuravelmente fiel.
Creio que o segredo da sua simplicidade jaz na sua capacidade de serem incondicionalmente felizes. Para estes, ser feliz não é uma opção, mas sim uma condição.
Já nós, humanos, parecemos depender de muitas condições, internas e externas, para sermos devidamente felizes.
Para um cão, um simples osso faz a festa. Para nós, é importante ter o melhor carro da cidade. Para um cão, a simples chegada do dono a casa é motivo de celebração. Para nós, só algo muito extravagante será motivo de tal contentamento. Para um cão, conhecer os seus amigos no caminho é fundamental, e por norma, põem-se a jeito. Para nós, o ideal é não passarmos muita confiança porque temos muitos afazeres em standby. Para um cão, um pote com água e comida e uma manta velha, são o perfeito refúgio. Para nós, ter conforto significa sofisticação, logo, quanto mais e maior, melhor. Para um cão, até a hora de maior sofrimento, é uma hora tranquila. Não gritam, não insultam ninguém, não mobilizam tropas e muitas vezes, sofrem à distância para que não sejam notados. Para nós, sofrer reivindica luta, drama, barulho, confusão, e não tão poucas vezes, o total caos sobre um pedaço de areia minúsculo.
Eles gostam de atenção e amor, tal como todos nós. Contudo, a nossa atenção vem sobre muitas exigências e cláusulas. A atenção deles é bem mais pura, mais isenta, mais honesta. É um amor sem espinhos.
Não sou cão para saber se eles refletem ou contemplam como nós. Mas sou humana o suficiente para saber que eles sentem de verdade. Não exigem e dificilmente escondem. Não arranjam desculpas nem se retiram das culpas. Não dependem de grandes coisas para estar. Apenas estão. Poderíamos nós também, aprender a apenas estar?
Com certeza.
Basta observar.



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