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O que faria o amor aqui?

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 5 de abr. de 2021
  • 4 min de leitura

Já alguma vez repararam que durante um único dia temos uma infinidade de pensamentos, dúvidas e até decisões que adoram ocupar as nossas mentes?

É deveras curioso.

Mas aquilo que eu considero particularmente curioso é que a mente não é nada sem a alma, é apenas um cérebro, um órgão como qualquer outro do nosso corpo responsável pelo processamento de informação mas que de longe, tem vida própria. Afinal, um corpo é só um corpo, um órgão é só um órgão, mas sem emoções nada somos, nada se experimenta.

Este debate entre realidade e virtualidade, entre racionalidade e emocionalidade é algo bem real. Há aqueles que se justificam puros sensíveis e os que se abnegam de emoções – como se isso se pudesse escolher não ter, e depois há os que se situam algures no meio da ponte.

Acho sempre interessante e até um tanto ou quanto estimulante quando alguém nos procura convencer que não é “dado a emoções”. Todos nós conhecemos aqueles durões que dizem “ah eu não sou nada dessas lamechisses, emoções é para os fracos”. Hum… será?

Bem, para começar não há diferença entre Tu e Eu. Somos ambos feitos do mesmo material, a única coisa que nos destinge é a nossa essência e propósito, por isso não me convences.

E ainda, se tu não andas no mundo para experimentar seja o que for, então porque razão fazes o que fazes? Não é porque te lembraste, ou porque te apeteceu, é porque queres saber o “que isso é”, e o “que isso é” não é mais que sensações. Boas ou más, intensas ou pobres, fugazes ou duradoiras, não importa. O que é óbvio, ainda que até rejeitado ou desconhecido, é que cada um qualifica ou vive cada coisa à sua maneira e isso é sentir, independentemente do estado maturacional que nos encontremos. A ideia aqui é que Nós não precisamos todos de partilhar do mesmo nível de inteligência emocional para constatar os factos. Uns são naturalmente mais intuitivos, outros mais cognitivos, e outros mais sensitivos, e está tudo bem. Só não está bem é viver num estado de negação ou de ilusão. A negação está para Nós como as drogas estão para um toxicodependente, e a falha neste reconhecimento poderá trazer consequências nefastas muito silenciosas para Nós e para todos que convivem muito perto.

No nosso dia-a-dia, a tomada de decisões é um processo praticamente inato. Decidimos mais coisas num só dia do que aquilo que possamos imaginar - para a esquerda ou direita, fazer ou não fazer, dizer ou não dizer, ir ou não ir, vestir isto ou aquilo...inúmeras decisões que ocorrem num estado consciente ou inconsciente, que é o mesmo que dizer de um modo mais atento, ou de um modo mais automático. Sejam elas quais forem, relevantes ou secundárias, todas elas parecem sofrer a influência de duas grandes emoções: o medo, ou o amor.

Pode parecer esquisito mas é muito simples. Pensa comigo. Quando decides permanecer num trabalho que não gostas fazes por medo ou por amor? Quando decides prestar auxílio a uma pessoa que te pede ajuda fazes por medo ou por amor ao próximo? Quando decides seguir ou não seguir os teus sonhos, foi por medo do fracasso ou por amor ao teu desejo?

Às vezes tomar decisões torna-se duro. Quando estamos encostados à parede e a aparente pressão nos obriga a decidir seja o que for, podemos notar a nossa racionalidade e a visão interior deturpada pela urgência, pela situação, pelas pessoas envolvidas, pela dimensão e por todo um conjunto gigante de fatores que gostam de se sentar sobre os nossos ombros com a mania que chateiam. Seja como for, quando a dúvida te quiser criar alguma sombra ou quando tiveres o céu limpo para decidir sobre algo, pensa sempre “o que faria o amor aqui?”.

Sim, é só mais um desafio. Só mais uma coisa para te fazer pensar. Mas pensar é bom, quando de forma intencional e com o propósito de bem te servir ou servir a um bem maior.

Quando falo em amor não falo apenas e só no amor romântico, nem daquele tipo de amor altamente condicionado à espera da volta. Poderia aqui escrever páginas a fio sobre o amor, mas prefiro deixar-te a ti a descobrir a sua verdadeira essência, afinal, nunca saberás o que queres se não tiveres uma vivência clara do que não queres, e se não o sentires, muito menos saberás diferenciar entre o agradável e o amargo.

Antes de entrares numa discussão que apenas põe em causa o conflito de egos, pensa melhor. Antes de ignorares um pedido de ajuda, pensa melhor. Antes de condenares sem teres vestido os sapatos do outro, pensa melhor. Antes de seres indelicado para o teu parceiro só porque se desencontram em alguma ideia, pensa melhor. Antes de quereres receber amor se não estás pronto a partilhá-lo, pensa melhor. Antes de desistires de um sonho porque já o consideras impossível sem sequer tentares, pensa melhor. Antes de te mentires e mentires ao outro sobre o que poderá ou não ser, pensa melhor. Antes de condicionares toda a tua vida para poderes agradar a alguém que não a ti mesmo, pensa melhor. E antes de achares que tudo é obra do acaso e que só é real aquilo que vês com os teus olhos, pensa bem melhor!


Um bem haja!



 
 
 

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