O que aconteceria se ficasses emocionalmente nu aos olhos de quem amas?
- Natacha Cabral
- 21 de abr. de 2021
- 2 min de leitura

De que é que o ser humano tanto se esconde?
Não seria tudo muito mais fácil se houvesse transparência e verdade ao invés de encobrimento e ilusão?
Quem queremos nós enganar com os nossas palavras ocultas ou com os nossos gestos disfarçados? O outro? Deus? Nós próprios?
Realmente Somos engraçados, não temos muita vergonha em nos despirmos fisicamente em frente à nossa cara metade, mas temos um medo que nos borramos de nos despir espiritualmente. É como que se essa gaveta no armário fosse intocável e intransponível. Mas a questão é, porquê?
Quando nos oferecem ou adquirimos um animal de estimação, à partida já sabemos com o que contamos: com os miminhos e todos os bons momentos que eles nos podem proporcionar, mas também com todos os contras que lhe estão associados, como o sujar, o ter de cuidar, alimentar, lavar e outras mais que aqui não me recordo. Moral da história, não ficamos só com os “bons”, mas também com os “menos bons”. Não posso simplesmente chegar ali e deitar fora o invólucro como quando abro uma caixa de bolachas.
Então, se assim é com estas coisas, porque não é assim também connosco? Porque tememos tanto a verdade?
Creio muito bem que grande parte das relações humanas sucumbem devido a esta falta de clareza por partes dos seus intervenientes. Tudo que é menos bom passa a ser um assunto tabu, e é aí que começa o comboio a descarrilar…dinheiro, emoções, segredos...you name it…!
Mas não me confundam! Não se trata de abrirmos o livro da nossa privacidade mental. Numa relação tem de haver sempre o “meu” espaço e o “teu” espaço, caso contrário não se fazia mais nada se não a andar aos tropeções, como uma espécie de sargentos de pensamentos. Não é a isso que me refiro. Refiro-me a uma atitude de simplicidade, de honestidade para com o outro, sem medos e receios de julgamentos.
Se partirmos do princípio de que os nossos valores e atitudes correspondem à nossa verdade, não vejo dificuldade na aplicação de tais costumes. Afinal, quando “casamos” o nosso tempo com alguém, seja de uma forma romântica ou de uma forma amistosa, casamos com o todo, e não com as partes. As partes compõem o todo e nada pode ficar de parte, e isso envolve o belo e o feio, as perfeições e as imperfeições. E assim nós Somos, e seguramente não deixamos de amar só porque o outro prefere o branco ao invés do preto, só porque o outro é rico e eu pobre, só porque o outro gosta de futebol e eu de ténis, só porque o outro é teimoso e eu insegura. Só porque sim, e só porque não.
Aos olhos de muitas pessoas isto poderá passar por uma ideia muito ambiciosa ou até, impraticável. Seja como for, ou o que querem esconder de quem for, deixo-te a pergunta: como te queres revelar ao outro?



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