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O caminho

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 29 de nov. de 2021
  • 1 min de leitura

Há segredos que nem os próprios segredos conseguem guardar.

Assim como há amor que nem o próprio amor consegue conter.

Eu, preferia não saber a verdade.

Agora que me encontro numa encruzilhada, para onde vou? Direita? Esquerda? Só para trás é que não consigo, porque o que lá vai, já foi.

Dizem que a verdade nos liberta. A mim, ajudou-me a perceber que posso seguir em frente. Mas para já não consigo ver o caminho com clareza porque é de noite, e a lua escondeu-se timidamente por entre as nuvens.

Tenho de confiar que a minha bússola saberá, exatamente, que desvios tomar ou quando parar.

Afinal, uma vida bem-aventurada não conhece destinos, apenas segue para o desconhecido com a certeza que lá, haverá algo, alguém.

Nunca estamos completamente sós. Quando vamos, levamos por vezes um excesso de bagagem, ainda que de mãos vazias. Mas levamos, seguramente, a mais importante de todas, a nossa alma. Ela sabe tudo, e dela nada se esconde, nem mesmo a verdade.

Poderás fugir, ficar tentado pelo atalho mais próximo, mas as curvas sempre existem, assim como as montanhas e os vales, ou a parede que denota um fim.

Com permissão ou não, com sabedoria ou em vão, com o ouro que herdaste ou sem um único tostão, vai caminhante. Leva-te contigo, rumo à tua paragem. Porque quando lá estiveres, saberás. Tal como eu, tal como nós.

Ela sabe. Deus sabe. O Universo sabe. Ainda que ninguém saiba...

 
 
 

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