O amor bateu-me à porta, e agora?!
- Natacha Cabral
- 7 de mar. de 2022
- 4 min de leitura

O amor é um verdadeiro desafio.
Não há teste que supere o recurso à coragem como o teste do amor.
Se quiseres conhecer a fibra dum homem ou de uma mulher, pergunta-lhe sobre amor, se aceita ou se foge dele, porque sejamos realistas, o amor traz dor e problema. Porém, fugir dele traz problemas significativamente maiores.
Numa sociedade que lida com a vida como se de um sprint para a meta se tratasse, seja ela qual for, o facto das pessoas optarem por ficar fechadas em si mesmas e nos seus problemas, negando a vulnerabilidade, faz com que o amor seja um ato cada vez mais raro, e começamos, precisamente, pela ideia distorcida que criam de si próprias, não possuindo a mínima noção do que amor-próprio é. ( Calma, não stresses! Eu também demorei alguns bons anos para chegar lá…)
Sempre ouvi dizer que não se pode dar aquilo que não se tem, e se assim o é, como poderá alguém querer escolher o caminho do amor se vive constantemente na sua mente e desconhece por completo aquilo a que o amor se refere? É quase que uma tentativa de cometer suicídio emocional, pois quando alguém se decide a fechar-se em si mesmo numa atitude neurótica de narcisismo onde não existe a necessidade do outro para nada, está a um simples passo de se condenar à prisão perpétua, dando lugar a um encarceramento mental e emocional para todo o sempre.
Sim meu amigo, amor implica sofrimento, mas quando parte de um lugar puro, como o teu coração, todas as dúvidas e todos os medos passam para segundo plano porque a força do amor é a mais potente de todas as forças neste universo. O amor é a única coisa. Aquela pela qual vale a pena lutar. É o objetivo primordial e final. E quem persegue outros objetivos antes sequer de compreender sobre amor, acabará por perceber, mais cedo ou mais tarde, que andou enganado durante muitos anos.
E eis que cai o primeiro pedregulho em cima da cabeça! Como que um saco de tijolos que acabou de nos acertar na cara vindo sei lá de onde...Auch! Agora doeu! E porque será que doeu tanto? Simples. Porque para entendermos o amor, temos primeiro de aceitar que isso implica a morte do ego. E não há nada que seja tão custoso como deixarmos os nossos orgulhos e os nossos pilares defensivos cair por terra, afinal, demoraram tanto tempo a ser erguidos e ainda por cima exigiram do nosso esforço! Damn it!
Quando conscientemente optamos por nos entregar ao amor, sabemos de antemão que a fragilidade e a verdade será a nossa nova condição. Para um amor sem entraves é preciso reconhecer o parceiro como um espelho, como um reflexo de nós mesmos.
Infelizmente, o que acontece na grande maioria dos casos é uma de duas opções: a) a pessoa mergulha para uma relação mas não gosta daquilo que vê refletido e foge, optando por funcionar a meio gás ou a não investir de todo; b) a pessoa jamais conseguir despir a roupa narcisista, optando por relações temporárias ou baseadas no sexo, havendo apenas contacto corpóreo e uma satisfação momentânea, o que em ambos os casos, não passa de uma fachada.
Ainda há um terceiro grupo, aquele que se recusa de todo a abrir o coração ao amor. Preferem dedicar a sua atenção e tempo aos bens materiais e ao mundo do trabalho, o que é nada mais, nada menos, que uma forma subtil de evitar problemas relacionais, como se nós, humanos, fossemos uma espécie dada ao isolamento. Mais uma vez, as prioridades andam todas trocadas nas cabeças de muita boa gente.
Com este isolamento progressivo, e entendido como “normal” nos dias de hoje, não me admira que o mundo se tenha tornado um lugar cada vez mais egoísta, mais competitivo, onde as energias do medo, da frustração, da ganância, da insuficiência e do ódio sejam predominantes em cada esquina.
Seja como for, they dont strike me as a fool!
Podem contar-me muitas histórias fatalistas e até melodramáticas, mas na vida existem apenas dois caminhos: o caminho do amor, que te leva à libertação e à transcendência, e o caminho do medo, que te leva a lugar nenhum. A escolha permanece nas tuas mãos, todos os dias, a toda a hora.
Quando o amor te bater à porta, é possível que sintas receio, mas não te acobardes, porque de nada serve evitares o que está bem à frente dos teus olhos. As relações humanas são fundamentais porque elas dizem-nos muito sobre a forma como tratamos os outros e a nós mesmos, e se foges dos outros é porque de algum modo foges de ti. A questão é: PORQUÊ?
O porquê, só tu poderás responder. Ninguém pode fazer o trabalho por ti, e esquece desde já a ideia que alguém te vai consertar porque de automóvel tens muito pouco. Fossemos nós assim tão simples…
Assim, se aquele amor que não te sai da pele te bater à porta pela primeira, ou pela décima vez, considera esse momento como uma oportunidade para cresceres, para começares do início. Imagina todas as possibilidades que ele te poderá trazer, onde te poderá levar, e o que te poderá fazer sentir. Nunca te esqueças que o arrependimento de não ter feito é sempre maior do que a dor de ter tentado e falhado.
Dá-te uma oportunidade. Dá uma chance ao verdadeiro amor. Escolhe viver!
P.S.: o amor não mora na tua mente, daí que seja uma perda de tempo tentares compreendê-lo. Ele apenas mora no coração, logo só poderá ser sentido.
Amor e ego não vivem na mesma casa. Nunca viveram. Nunca viverão.
E se o amor te bater à porta, os meus parabéns! E atende, por favor!



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