Larga-me a mão!
- Natacha Cabral
- 4 de jul. de 2021
- 1 min de leitura

Queria libertar-te,
mas carrego-te comigo.
Queria libertar-te,
mas invades o sossego dos meus sonhos.
Queria libertar-te,
mas tenho-te na boca a todo o momento.
Queria libertar-te,
mas irrito-me por não te ter e alegro-me por te saber.
Queria libertar-te,
mas tenho o coração despedaçado e cerrado a 7 chaves.
Queria libertar-te,
mas a tua imagem é como droga nas minhas veias.
Queria libertar-te,
mas o caos interno é maior que tu, que eu e que o mundo!
Queria libertar-te,
mas a corrente é dura e eu já não consigo mais carregá-la.
Eu vou libertar-te!
Nem que as águas agitadas afoguem o meu poiso,
nem que os pássaros silenciem,
nem que a dor me consuma e me falte o ar,
nem que todo o mundo desabe antes da novidade brochar.
Eu vou libertar-te,
porque eu também Sou,
e finalmente Sou,
ao ponto de ser sem ti.
Fui.
E por conseguinte,
vai.



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