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Juventude para sempre e Seniores para nunca? Uma visão sobre uma luta infortunada.

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 16 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

Jovens, onde andam vocês?

Seniores, onde está a vossa voz?

Há um desencontro claro de gerações, que tristemente, se prolonga por tempo incerto, e o fosso cavado parece ser, inevitavelmente, cada vez maior. Mas, será isto o caminho certo? Não serão apenas falsas aparências criadas por uma ilusão maior?

O mundo é um local regido por leis, nas quais uma delas, é a lei dos opostos, logo, o novo nunca subsistiria sem o velho, e vice-versa.

O tempo das acusações já foi tempo de mais. De quem é a culpa, é o que menos deveria importar. Saber como proceder e alterar padrões enraizados, deveria ser, o nosso objetivo maior.

Jovem, é preciso a tua coragem, assim como do Sénior a tolerância.

Jovem, é preciso a tua audácia, assim como do Sénior a sabedoria.

Jovem, é preciso a tua ação, assim como do Sénior o apoio.

Somos todos precisos, num lugar onde todos valemos.

Se recuarmos atrás no tempo, e tivermos como exemplo a luta levada a cabo por Martim Luther King nos Estados Unidos da América, foi graças à ousadia dos jovens e à união dos mais velhos a esta causa, que o povo Negro se libertou de anos a fio de uma segregação cruel. Este exemplo da força pela união marcou todo o mundo e hoje, podemos gritar com orgulho, que ninguém é mais que ninguém, independentemente da cor, raça ou nacionalidade. Assim, não seria de esperar que o exemplo perdurasse no tempo? Que fossemos mais uns para os outros? Que usássemos as qualidades em prol de uma causa maior e deixássemos de lado os direitos e os orgulhos inerentes às faixas etárias da vida?

Não me conformo com o silêncio de quem já viveu, assim como não entendo a moleza de quem agora vive.

É como se quem já vivesse, tivesse abdicado da esperança de outros dias, do mesmo modo de quem ainda viverá, não visse um futuro promissor. Mas um dia, o Sénior foi Jovem, e o Jovem, um dia, será Sénior, daí que há certas responsabilidades que não adianta fugirmos, pois todos carregámos o carimbo bem nas nossas costas que se reflete numa consciência coletiva. Deixar para amanhã, arrumar debaixo do tapete ou passar a batata quente são cenários que não nos servem, nem a mim, nem a ti, nem a você, nem a ninguém.

A questão que vos lanço é a seguinte: por quanto mais tempo vamos continuar a achar que aquilo que se passa, a nós não nos diz respeito?

No fim de contas, não é sobre ganhar uma guerra, mas sim sobre o quanto persistimos de pé.


 
 
 

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