Filhos do mar
- Natacha Cabral
- 31 de mai. de 2021
- 1 min de leitura

Assim como o mar é,
também nós somos.
Vamos e vimos como as correntes, trazemos e levamos partes de nós que naufragam ou desaguam algures incerto.
Tal como nas profundezas do mar, também nós escondemos os maiores segredos, alguns ficarão fechados para sempre, outros grunhem para serem descobertos.
E da mesma forma que as ondas rebentam em dias de tempestade, também nós cedemos à força da nossa natureza. O turbilhão de emoções enrola na nossa areia, e ecoa por vezes tão longe que sentimos que não temos mais controle, e é quando percebemos, que tal como o mar, não temos controle sobre nada...
Mas mesmo nos dias mais cinzentos e agitados, também o sol brilha para ambos. As algas e as conchas atracam em terra, fazendo-nos lembrar que há sempre algo de bom nestas viagens atribuladas e pelo desconhecido, ainda que na luta pela superfície fiquem algumas cicatrizes.
E na perfeição dos seus dias, é tão fácil nele surfar! Tudo se encontra criando a onda ideal, com a altura exata e com um tubo mágico que nos convida a ficar - tal como nós, quando nos é mostrada a nossa função e descobrimos a nossa razão.
E então como o mar, também nós invejamos a serenidade de espírito quando apenas o sol nele reflete num horizonte calmo, quase desenhado, e com uma brisa apaziguadora.
Pois tal como o mar, também nós somos...



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