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Está na hora!

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 29 de mar. de 2021
  • 5 min de leitura

Sou só eu que sinto, ou vocês também sentem que o mundo está precisar de um abanão?

Nós Humanos somos criaturas deveras fascinantes, não tenho dúvidas alguma disto. Somos capazes das coisas mais incríveis, mas curiosamente, das coisas mais absurdas também.

Eu prefiro acreditar, aliás, eu acredito que somos de natureza boa, pese embora algumas vezes possamos duvidar de acordo com algumas coisas que vemos. Ainda assim, creio que fomos todos criados aos olhos do amor e do progresso.

Contudo, acontece que uma grande percentagem de pessoas que deambulam no nosso planeta parecem estar a dormir, comandadas por uma espécie de “piloto automático”, como se estivessem cegas. Mas, tal como todas as coisas no nosso mundo, assim que formos capazes de remover o obstáculo do caminho, e neste caso seria remover a cortina que nos impede de ver, seríamos capazes de enxergar de uma forma clara tudo aquilo que se passa à nossa volta.

Se partilharem da mesma opinião que eu, entendem que esta crise mundial de Covid-19 veio, ao mesmo tempo, em má e, em boa hora. Má, porque naturalmente nos afetou a uma escala nunca antes vista e todos, sem exceção, sofremos, e ainda não estamos livre como tanto gostaríamos. Boa, porque este foi um momento que serviu a quem assim se mostrou pronto e disponível, para refletir. Um convite “non-grato” para nos deixar a pensar sobre duas premissas que me parecem evidentes:


1 – que a nossa raça também poderá muito bem estar ameaçada;

2 – que o trabalho coletivo é muito mais poderoso e valioso que a individualidade.

Assim, e após todos estes meses fechada em casa e sem salário, aproveitei o tempo que me foi dado para tentar entender um pouco mais sobre este mistério que é a vida.

Claramente dá para perceber que alguns de nós tomam a vida como garantida, enquanto outros percebem que o simples facto de estarmos vivos é por si só, uma bênção e que, o Universo opera de uma forma mágica, mais parecendo um milagre. E ainda que, dia após dia continuemos a provocar estragos evidentes e inegáveis, o mesmo Universo opta por nos dar uma segunda chance sem questionar ou julgar.


Foram precisas algumas belas horas e ler, a meditar e a procurar a resposta para muitas questões que me apoquentam o espírito, e quando pensava que as ia encontrar de forma óbvia, vem a vida e prega-me a partida de me deixar no ar mais 4 grandes perguntas:


1 – Quem somos Nós?

2 – O que estamos Nós a fazer aqui?

3 – Qual o Nosso propósito aqui?

4 – Para onde Estamos a ir?


Pois então, após considerar todas estas questões, cheguei à seguinte conclusão: Será que somos assim tão diferente uns dos outros? Será possível que estejamos todos relacionados a um nível aparentemente invisível aos olhos? O que tem um pássaro a ver com um peixe? O que tem um cão a ver comigo? O que tem o Norte a ver com o Sul? Falando fácil, nada mas, tudo! Estamos todos conectados, mais daquilo que alguma vez possamos imaginar. Todas as criaturas, toda a expressão mais básica de vida fazem parte de um plano maior, e a todos Nós foi entregue uma missão, uma missão comum.


Quando formos capazes de processar e assimilar esta informação, então estamos capazes de entender aquilo que chamamos de vida!

Quando percebermos todos que não é sobre exclusão mas união, que não é sobre singularidade mas coletividade, que não é sobre escassez mas suficiência, encontramos o ouro! Aí alcançamos o segredo da vida e descobrimos tal e qual o Planeta se organiza e funciona, e talvez aí possamos pôr a mão na consciência para perceber o grau de devastação que lhe estamos a infligir ao atuarmos de forma egoísta e indolente.


Já alguma vez paraste por um minuto e olhaste à tua volta?

Não sentes o mundo triste, ansioso e um tanto ou quanto, desesperado?

Não sentes as pessoas confusas e perdidas?

Não ouves o grito do Planeta?

Se respondeste que sim a alguma destas questões, então por quanto mais tempo vamos continuar a ignorar as mesmas, como se isto fosse normal? Como se fosse o “esperado”, como alguns nos podem querer vender…justificando-se com a ideia de que faz parte do processo evolutivo. Pois bem, se isto é evolução, não vos parece que há algo de muito errado aqui? É suposto a evolução magoar, destruir e por em causa o único sítio que habitamos?

A mim cheira-me a treta!

Já estou como diz o Tim dos Xutos e Pontapés, “Se isto não chega, tens o mundo ao contrário”.

O que será mais preciso?

Vivemos, mas não há mais tempo para um “bom dia” a um estranho; não há mais tempo para assistir alguém que precisa de ajuda; atores são melhor pagos que médicos e professores; florestas são devastadas e cada vez mais animais perdem os seus habitats ficando condenados à extinção; povos antigos são “convidados” a desaparecer perdendo-se com eles importantes lições e tradições, e depois apelidamo-los de “foras de moda”; contratos milionários são assinados causando a poluição dos nossos mares e oceanos, da nossa atmosfera, do ar que nos permite respirar e circular livremente como seres que Somos...e depois ainda dizem que se preocupam com o Nosso futuro? Qual futuro ? A este ritmo não teremos mais futuro, apenas passado. Não existe um Planeta B.


Quem foi que Nos disse que para sermos felizes precisamos de fazer o outro sentir-se miserável? Quem foi que nos disse que para darmos valor, temos de sofrer? Quem foi que nos disse que a complexidade é muito mais importante e valiosa que a simplicidade? Quem foi que nos disse que o mundo acaba já amanhã e que por isso temos de o espremer até ao seu último suspiro?

Ninguém, na verdade, mas curiosamente, muitos de Nós prefere acreditar nestas ideias irrealistas. Não será menos curioso que a aquilo a que Nós chamamos de realidade é apenas uma pequena parte daquilo que o Universo realmente é. Tanto acontece que não Nos é percetível, coisas que se resolvem por elas próprias. De Nós apenas é pedido um pouco de fé e tempo, o tempo e o respeito que o próprio Universo merece. Que todos Nós merecemos!

Às tantas imaginamos nas nossas cabeças que será necessário um plano mirabolante e minuciosamente desenhado como tentativa para “consertar” o mundo. Mas, não é o mundo que precisa de conserto, mas sim Nós próprios.


Sempre ouvi dizer que “sê a mudança que gostarias de ver”, e se todos queremos um mundo melhor, então todos deveríamos procurar mudar. Ninguém nos pede para sermos perfeitos, pois perfeitos já Nós somos, mas apenas poderíamos tentar.

Aquilo que realmente precisamos é uma mudança conjunta para a emersão de uma Consciência Coletiva. Neste caso, o esforço individual fundir-se-ia na perfeição para um bem comum. Pois ao mudarmos a nossa perspetiva, mudamos a forma como vemos as coisas; ao mudarmos a forma como vemos as coisas, mudamos a forma como as entendemos; e ao mudarmos o nosso entendimento, mudamos inevitavelmente, as nossas ações.

Tudo começa no interior e tudo começa em Nós. Passo a passo, ainda que pequenos, seremos capazes de causar um grande impacto positivo em tudo que nos rodeia.


Termino esta reflexão com a célebre frase proferida no filme “Os três Mosqueteiros” : “Um por todos, e todos por um”.


Obrigada.






 
 
 

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