Em nome dos que caminham na sombra da invisibilidade
- Natacha Cabral
- 25 de jun. de 2021
- 2 min de leitura

Somos uma voz.
Mas não somos ouvidos com a mesma força.
Continuamos presos. Enclausurados. Forçados à anulação. Somos a voz de todos e de ninguém.
Quererá alguém um dia ouvir-nos?
Será que o eco das nossas vozes chegará aos lugares que lhe é destinado?
Será possível que eles entendam a nossa mensagem?
Algo me diz que sim. Que vale a pena continuar a lutar. A união faz a força, e quando tem que ser, é. O divino move montanhas, faz cair as águas nos lugares mais secos, dá a vida àquilo que carece de futuro.
Daí eu saber que um dia falaremos apenas numa só voz. Seremos uno.
A violência será transformada em atos de generosidade, os cegos voltarão a ver, nas ruas se dançará livremente, rir continuará a ser o melhor remédio e a diversidade não será mais uma adversidade, mas uma bênção.
Posso não ter esperança de mais nada. Mas tenho esperança disto.
Talvez amanhã não volte a ver a luz do dia, talvez não receba nenhum diploma de inteligência superior, talvez não deixe legado nenhum a não ser a minha humildade, ou até nem viva o suficiente para ver o sol brilhar nas novas paisagens que refletem a esperança de uma nova humanidade mais unificada que outrora, mas não tem mal.
Seja eu um “Zé ninguém” ou um próximo Nobel de uma causa nobre qualquer, ou seja eu até nenhuma, apenas alguém no meio do cruzamento entre uma vida próspera ou uma vida miserável, seja como for, que seja eu guiado pelo amor.
Que ao menos a minha alma permaneça pura, verdadeira. Que o meu coração bata ao som das ondas do oceano. Que a minha mente visione o possível e o impossível. Que nos pés tenha asas. Que os meus homies sejam fiéis. Que os estranhos se inspirem com a minha força e ousem fazer melhor. Que as minhas palavras sejam cantadas pelas vozes dos Pavarottis desta terra. Que a esperança dos não ouvidos não morra na praia. Que a voz da minoria possa ser, um dia, a voz da diferença. Afinal, até nós gostaríamos de ser escutados numa cimeira internacional por aí...



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