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"Certezas de nada"

  • Foto do escritor: Natacha Cabral
    Natacha Cabral
  • 21 de mar. de 2021
  • 2 min de leitura

Enquanto caminhava na rua, naquele que parecia ser mais um dia de sol como todos os outros, alguém me apareceu no caminho com a novidade mais ousada de sempre e me segredou como um arrepio que me percorreu todo o corpo: - "E se eu lhe dissesse que tudo em que acredita está simplesmente errado?" Choque por certo foi a minha reação. Mas útil e de alguma forma, desejável.

Tive de parar no banco mais próximo e sentar-me enquanto digeria esta pergunta.

Passado algum tempo veio-me à luz uma chuva de questões:

Afinal, quantos de nós alguma vez questionou os nossos próprios valores ou crenças? E quando o fizemos, houve alguém ou alguma entidade imaginária nos disse "estás completamente certo meu caro! ?” O que é o certo e errado? O que é o bom e mau? Quais os valores moralmente melhores que outros?

Neste momento deparei-me com uma certeza: Acho que não sei sobre mais nada! Há quem acredite que bom é ter tudo, mas até o todo se pode tornar vazio num piscar de olhos. Há quem acredite que ser uma celebridade com o seu nome na Broadway é suficiente, mas no final, quando o reconhecimento mundial cair no esquecimento, rapidamente perceberá que são tão normais como qualquer um de Nós. Há quem acredite que bom é ser-se bem sucedido, é ter um carro luxuoso, o emprego perfeito e uma casa enorme mas, será uma gravata e um duplex a transparência necessária para nos definir? Objection your honor! E já agora, o que distingue o sucesso do fracasso? Não será o fracasso tão ou mais importante para o nosso crescimento? Ou será que a chegada à meta apaga todo o percurso percorrido para esse objetivo?

Isto tudo faz-me crer que primeiro, nem ninguém tem 100% certezas de nada e segundo, a felicidade suprema está na simplicidade das coisas. Tudo o resto é uma ilusão. É melhor pois duvidarmos de tudo e até de nós próprios, porque ao duvidar somos curiosos, e a curiosidade questiona. Talvez hoje, mais que nunca, esteja na altura de pararmos de querer tudo na vida de uma forma restrita e linear. De acharmos que Somos na individualidade e não na coletividade. De termos medo dos altos e baixos por considerarmos que isso é anormal. Não conheço nenhuma montanha sem fossos e pedras no caminho, e se assim são, talvez assim tenham de ser. Se assim somos, talvez assim tenhamos de ser, imperfeitos na nossa perfeição.

E não, não está doente por se sentir triste ou cansado de vez em quando! Está tudo bem. Fomos feitos para rir, mas sem lágrimas não haveriam os risos.

Quando me pus a pé e dei por mim a prosseguir caminho, senti como que uma paz estranha dentro do meu ser e sorri.

Sem querer descobri o maior segredo: somos todos parte do mesmo Universo e rumamos todos em direção a um propósito comum: sermos felizes. E só por isto, sei que ficará tudo bem. O que deixou cair por terra a seguinte questão:

Será assim tão importante termos sempre razão?

 
 
 

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